A espiritualidade pode virar seu ópio!
20 set 2018

A espiritualidade pode virar seu ópio!

Sim, se dizer espiritualista

20 set 2018

Sim, se dizer espiritualista está na modinha! Rsrs Desculpem por já iniciar o texto de forma levemente sarcástica, mas realmente não resisti. Pra falar a verdade, acho essa moda bem interessante e benéfica de modo geral, porém acredito que existem algumas ressalvas que precisam ser analisadas com um maior cuidado.

Bom, pra começar quero esclarecer algo a respeito do título que escolhi para este artigo; o ópio é uma droga que nos tira da realidade convencional, nos entorpece e nos insere em um mundo de sensações que escapam a sanidade mental, possibilitando uma espécie de fuga da realidade.
Sei que é bizarro dizer essas coisas, mas parece que estou mesmo encontrando minha missão ao mostrar pra vocês o “lado mais obscuro das coisas”, por assim dizer, para que possamos realizar uma reflexão mais aprofundada a respeito de conteúdos inconscientes no intuito de melhor elaborá-los.
Este artigo se baseia em minha própria experiência como “adicta” (viciada) em assuntos espirituais (assumo abertamente rsrs) e também na minha observação clínica enquanto psicoterapeuta. Mas vou parar de rodear e ir direto ao ponto.
O que venho percebendo é que uma massa de pessoas emocionalmente perdidas estão indo em busca da espiritualidade assim como um andarilho do deserto desesperadamente caminha em direção ao oásis para saciar a sua sede. Até aí tudo bem, mas o grande problema acontece porque quase sempre este oásis é ilusório, não passa de uma alucinação, ou um autoengano.
Calma, não me agridam, vou explicar melhor! O que constatei é que as pessoas acreditam que a espiritualidade é algo que vai salvá-las do “mundo da matéria” onde elas precisam passar por desafios, provações e superações e também chatices cotidianas!
Estas pessoas buscam então se espiritualizar de uma forma um tanto perniciosa; elas se dizem evoluídas e bem resolvidas, mas a grande verdade é que na maioria das vezes elas estão fugindo de si mesmas, dos problemas, dos sentimentos mais profundos e frequentemente dos relacionamentos interpessoais.
São indivíduos que por medo do enfrentamento da vida, escapam para os devaneios entre um mantra, uma meditação e um belo discurso filosófico/espiritual… E posso falar isso tão seguramente porque muitas vezes este também é o meu ópio (estou aprendendo a equilibrar isso só agora aos 33 anos rsrs).
Entretanto, o que quero sugerir aqui é que possamos buscar a espiritualidade a partir de um maior centramento psíquico/emocional e um alinhamento com as questões da vida humana. E isso inclui namoro, casamento, amizade, dinheiro, contas a pagar, família, meio ambiente, diversão, sociedade, etc.
Se você quer flertar com a espiritualidade e continuar fazendo dela sua válvula de escape a opção é sua, mas se quer aprofundar de verdade, precisa aprofundar em você mesmo, em suas dificuldade, vulnerabilidades e limitações e principalmente em como você se relaciona com aqueles que são mais próximos.
Precisa aprender a aceitar as pessoas como elas são, se permitir amar e ser amado mesmo nos momentos mais difíceis; viver a vida da forma mais integral possível. Se você foge das relações e das situações que se apresentam pra você, como pode efetivamente ser espiritualizado e evoluído? Se você nem ao menos aprendeu a dominar as questões mais básicas, como pode acreditar que é tão espiritual assim?
Você pode estar bravo comigo neste momento, mas minha intenção aqui é te provocar um maior questionamento sobre como você anda se conduzindo nesta incrível jornada.
Se realmente está engajado em tua evolução espiritual, lembre-se de que toda grande construção precisa de bases sólidas!
Com respeito e integridade,
Tatiana M. Galvão

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